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ALI
BABÁ
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Há muitos anos atrás, vivia numa cidade um
homem chamado Ali Babá. Num dia de Inverno em que
saíra para apanhar lenha, viu ao longe um grupo
de cavaleiros que se detiveram diante de uma rocha enorme.
Ali Babá, protegido pelos ramos das árvores
altas, conseguiu chegar junto do local onde eles se encontravam. |
Apercebeu-se
que se tratava de um bando de ladrões.
O chefe, depois de ordenar aos seus homens o que deveriam
fazer durante a noite, dirigiu-se para a rocha e exclamou
solenemente:
- Abre-te Sésamo!
E a rocha abriu-se, deixando a descoberto uma gruta onde
os bandidos depositaram os pesados fardos que carregavam. |
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Depois, quarenta homens foram saindo da gruta.
-
Fecha-te Sésamo! – exclamou o capitão.
E a enorme pedra voltou para a posição inicial.
Ali Babá esfregava os olhos, incrédulo. E,
quando os ladrões se afastaram, repetiu as palavras
mágicas:
- Abre-te Sésamo!
Prata, ouro, pedras preciosas, tapeçarias, grandes
cofres cheios de moedas... Ali estava doido por ver toda
aquela riqueza. Uma vez refeito, carregou os alforges do
seu burro com ouro, correu para casa e contou a aventura à esposa. |
E
esta contou à prima, que era casada com o irmão
mais novo de Ali. O irmão de Ali era um comerciante
muito rico e muito ambicioso e mal soube do que se passara,
correu
para a gruta
para se apoderar das riquezas. Mas a sua memória
era péssima e, uma vez lá dentro, não
se lembrou das palavras mágicas. Quando os bandidos
chegaram, degolaram-no sem piedade.
Ao ver que o comerciante
não regressava, a esposa
não teve outro remédio senão contar
tudo a Ali Babá. Este, com mil precauções,
voltou à misteriosa gruta, recolheu o cadáver
do irmão e, ao escurecer, levou-o para sua casa.
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Ali
e os seus familiares passaram a noite a pensar numa forma
de fazer crer na cidade que o rico
comerciante tinha
morrido de morte natural: os bandidos não podiam saber,
em circunstância alguma, que a família conhecia
o segredo da gruta. Finalmente a criada de Ali, que era muito
astuta, trouxe do outro lado da cidade um sapateiro, com
os olhos vendados, e este coseu as feridas do cadáver. |
Quando
os ladrões viram que o cadáver tinha
desaparecido, temeram pelas suas riquezas. No dia seguinte,
puseram-se a percorrer a cidade. Ao fim de três dias,
um deles encontrou o sapateiro e, a troco de algumas moedas
de ouro, convenceu-o. |
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Com
os olhos vendados, o sapateiro tratou de encontrar o
caminho. Chegaram a uma ladeira inclinada
e ele indicou
a porta por onde tinha entrado.Louco de contentamento,
o ladrão fez uma cruz na
porta de Ali Babá e correu a dar a notícia.
Mas a astuta criada, que assistira a tudo, fez o mesmo
sinal em todas as portas do bairro.
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O
sapateiro voltou a percorrer a cidade e novamente a criada
conseguiu
enganá-los. Mas, à terceira vez,
o capitão acompanhou o sapateiro e fixou bem a casa.
No dia seguinte, uma fila de vinte mulas, cada uma delas
carregada com dois potes enormes, parou diante da casa
de Ali Babá. |
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-
Sou um comerciante de azeite – disse o que conduzia
a fila, que era o chefe do bando. Passei a noite acordado
e procuro um sítio para dormir.
Ali Babá acolheu de bom grado o comerciante e preparou-lhe
uma boa ceia. Em seguida, todos se foram deitar. |
Só a
criada ficou a fazer a sua lida. E lembrou-se que, tendo-se-lhe
acabado o azeite da lamparina,
poderia
retirar um pouco dos potes do comerciante. Aproximou-se
do primeiro pote, destapou-a e ouviu uma voz que dizia:
-
Já está quase na hora! Estejam preparados
para matar Ali Babá. |
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A
criada encheu por três vezes o seu cântaro
com azeite, que pôs a aquecer sobre uma grande fogueira.
Depois acordou Ali e contou-lhe o que se passava. Ambos
entornaram azeite a ferver para dentro dos potes e assim
todos os bandidos
morreram queimados. |
E
desta maneira, o país ficou livre dos terríveis
bandidos e Ali Babá tornou-se imensamente rico com
o tesouro da gruta. |
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