O Parto Prematuro


O presente artigo pretende ser uma reflexão sobre o parto prematuro, possíveis causas e repercussões na relação mãe-bebé.

Um dos problemas mais graves do Trabalho de Parto consiste no seu desencadeamento na altura errada. Um parto desencadeado demasiado cedo, ou demasiado tarde, pode acarretar, riscos de saúde para a criança e para a mãe.
O ideal seria que todos os trabalhos de Parto ocorressem entre as 38 e as 40 semanas de gravidez. No entanto, em algumas gravidas o Trabalho de Parto desencadeia-se entre a 24ª e 35ª semana e nessa situação, falamos de parto prematuro.
A mulher grávida e com sinais de Parto Prematuro pode ser um caso clínico difícil tanto no que respeita à etiologia como no que respeita ao prognóstico. Independentemente da causa, na presença dos sinais de Probabilidade de Parto Prematuro, impõe-se o internamento. Sujeita a tratamento médico, espera-se que a mulher possa permanecer grávida até que o seu tempo de gestação se aproxime do termo. Inesperadamente, e demasiadas vezes, as contracções uterinas contrariam o desejo dos médicos e das grávidas, impondo o nascimento de um bebé que estaria bem melhor no útero do que na incubadora.
Este internamento obriga ao luto prematuro da gravidez que estava a ser vivida como um projecto de vida bem sucedido. Neste “luto da gravidez” vai ser “enlutada” também a criança, até aqui saudável e que a partir de agora se transforma numa fonte de preocupações.
A interrupção deste processo não pode deixar de desencadear reacções emocionais, que embora dependam da personalidade em causa, oscilam entre ansiedade e depressão. A sua inibição é a tarefa dos psicólogos, que devem desde o inicio acompanhar todo o sentir da grávida, de modo a minimizar possíveis efeitos secundários na relação mãe-criança.
No entanto, tal nem sempre é possível, dada a ausência de Psicólogos, nos Serviços de Saúde e a prematuridade do parto e muitas vezes consequentemente prematuridade do Recém Nascido , é seguida de dificuldades na relação mãe-filho. Muitas vezes o que existe subjacente a esta relação é o “estereotipo da prematuridade”.

A consequência visível deste estereótipo é que as crianças que são rotuladas como prematuras são percepcionadas de uma forma mais negativa do que as crianças nascidas a termo. Poder-se-à falar por exemplo em dificuldades na percepção da mãe face ao seu filho que gera uma outra dificuldade, a comunicação.
Inevitavelmente estamos perante duas partes fragilizadas, pais e criança, a quem é necessário facultar toda a atenção e dedicação de modo a minimizar qualquer sofrimento existente. É preciso não esquecer que esta situação é tão traumatizante que pode impor uma ruptura no desenvolvimento da vinculação com a mãe, dado o sofrimento psicológico que toda a situação acarreta. No entanto, para além da mãe é necessário prestar atenção à criança, dado os problemas de desenvolvimento, cognitivo e motor, que podem decorrer de todo este processo.

Em suma, na sequência de um parto prematuro, tratamento médico e psicológico devem articular-se visando o bem estar das duas partes fragilizadas, pais e criança.

Vera Abrantes
Psicóloga Clínica
vera.abrantes@netcabo.pt

 

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