Apenas um quarto das mães portuguesas amamenta seis meses


Uma percentagem que os profissionais de saúde estão empenhados em fazer aumentar

Cerca de um quarto das mães portuguesas amamenta os filhos até aos seis meses, seguindo as recomendações internacionais sobre aleitamento materno, uma percentagem que os profissionais de saúde estão empenhados em fazer aumentar, segundo uma especialista.

Isabel Loureiro é médica de saúde pública e dirige o Curso de Aconselhamento em Aleitamento Materno que decorreu na Escola Nacional de Saúde Pública e Lisboa, onde os profissionais de saúde receberam formação sobre esta prática.

Em declarações à agência Lusa, a especialista explicou que o objectivo do curso é promover o aleitamento materno e a aplicação das medidas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) que apontam para o leite materno como alimento exclusivo até aos seis meses.

Segundo Isabel Loureiro, o aleitamento materno é um "acto perfeito" que, além de garantir todos os nutrientes necessários à criança, promove uma relação única entre mãe e filho e evita problemas futuros.

"Sabe-se hoje que o aleitamento materno evita os maus-tratos e a negligência infantil, pois cria um vínculo afectivo entre a mãe e a criança muito forte", disse.

Por outro lado, adiantou, vários estudos indicam que uma boa relação precoce, em que o aleitamento materno tem um papel fundamental, tem um impacto positivo na prevenção de problemas do foro mental.

Em Portugal, cerca de um quarto das mães alimenta o filho com o seu leite, em exclusivo, até aos seis meses.

Os profissionais de saúde encontram muita insegurança nas recém mamãs e é nessa altura que uma intervenção é "fundamental", disse Isabel Loureiro.

"A maior parte das mães que amamenta os filhos nem sempre é bem sucedida, pois depara-se com obstáculos - físicos e psicológicos - que podem levar ao abandono desta prática", afirmou.

Obstáculos que podem diminuir a auto-confiança da mãe que se interroga vezes sem conta sobre a qualidade do leite, se este é suficiente para tirar a fome da criança, ou que sente dificuldade em adquirir uma posição confortável para ambos durante o aleitamento.

Estas dificuldades podem ser ultrapassadas com um bom aconselhamento dos profissionais, garantiu Isabel Loureiro, frisando que, quando é bem sucedido, o aleitamento promove a auto-estima da mãe, que fica feliz por conseguir alimentar o seu filho, e fortalece esta relação.

Por outro lado, a qualidade do leite materno proporciona defesas imunológicas na criança, sendo por isso "fundamental" ao desenvolvimento do bebé.

 

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